ENTREVISTA de Edson Rossatto para a o site Ofício de Escritor

No início da série de entrevistas, temos a oportunidade de conversar com Edson Rossatto 1, escritor e editor da Andross, editora que promove a publicação de escritores iniciantes em antologias, além de outras obras. Visite o site, conheça o catálogo da editora e as antologias em andamento no site www.andross.com.br

· Edson, antes de mais nada, você poderia traçar um pequeno perfil da atuação da Andross Editora em relação a sua linha editorial e atuação no mercado?
A Andross publica obras de autores em início de carreira. Esses textos são publicados em antologias literárias cujo propósito e divulgar os nomes desses desconhecidos, mas muito talentosos escritores. Alguns autores que estrearam nas antologias da Andross hoje já têm obras publicadas individualmente por outras editoras.

· Ao conhecer a editora é possível constatar que a organização de antologias literárias aparece como um dos segmentos de destaque. Como surgiu a proposta da publicação de obras de escritores iniciantes nesse formato?
A Andross nasceu no campus da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, para abrir espaço no mercado aos alunos que não tinham condições de publicar seus primeiros textos. Depois, transcendemos os muros da universidade.

· Como é feita a divulgação das antologias? Na sua opinião, há uma abertura satisfatória dos meios de comunicação em geral quando se trata de divulgação de livros?
Fazemos divulgações em diversos veículos de comunicação, nas grandes capitais e no interior também. No interior acreditamos que os jornais sejam mais receptivos a divulgações desse tipo, principalmente quando existe algum autor que seja da própria cidade.

· Qual a avaliação que você faria da recepção dessas antologias literárias por parte do mercado e do público? Como foi, por exemplo, a participação da Andross na 20ª Bienal do Livro de São Paulo?
Geralmente a recepção é boa, até porque as pessoas hoje em dia não reservam grandes períodos de tempos à leitura. Então, textos curtos ajudam a suprir essa necessidade.
A participação da Andross na Bienal de São Paulo foi muito boa, embora esse evento seja comercial e seja maquiado de “evento de cultura e arte literária”. Infelizmente, só quem tem lucro nesse evento é o organizador, pois os expositores nem conseguem recuperar o que investiram.

· Mudando levemente de assunto: como se dá a seleção das obras a compor as antologias? Quais os critérios usados nessa seleção? Que qualidades são esperadas de uma obra que se pretenda publicável?
Os autores nos enviam suas obras de acordo com o gênero e a temática. Então o organizador da antologia em questão faz a leitura e julga se: 1) tem coesão e coerência; 2) trata-se de uma trama que desperte a atenção do leitor; 3) as idéias estão bem organizadas. Se isso acontecer, a obra pode ser publicada. Aí, entramos em contato com o autor para os trâmites legais, como o contrato.

· Você poderia delinear, mesmo que superficialmente, o perfil das pessoas que procuram esse meio de publicação?
Geralmente são autores que já tentaram publicar por grandes editoras e deram de cara com a dificuldade do mercado editorial em publicar novos autores.

· Como é, em linhas gerais, a relação da Andross com os autores cujas obras publica?
Muito boa! Geralmente quem publica uma vez com a Andross sempre nos procura para publicar de novo.

· Como editor, que tipo de texto interessa a você na hora de selecionar obras para uma antologia? E no caso de outras publicações, como romances ou obras técnicas, por exemplo?
Como editor, publico qualquer texto que seja de interesse de algum leitor. Nessa profissão, temos de deixar nosso gostos de lado e analisar imparcialmente os textos. Como escritor e leitor, aprecio muito contos de terror e de suspense!
Ainda não temos pretensão em publicar romances. Mas em breve a idéia será estudada.

· É comum fazer a seguinte distinção quando se trata do modo como se publica uma obra: a edição independente, na qual se recorre à uma editora em baixa demanda, ou não, que recebe do autor o pagamento pela publicação; e a edição de uma obra que, aceita por uma editora comercial, transforma-se em uma aposta da parte dela, que corre os riscos da publicação e faz a distribuição dos livros, coisa que não ocorre no primeiro caso. Digamos que, atualmente, a primeira opção seja o início, ou mesmo a opção de escritores iniciantes. Nesse aspecto, você vê a Andross como uma prestadora de serviços (no caso das Antologias), como uma editora comercial (pensando nos outros segmentos nos quais ela atua) ou, ainda, como um misto dessas duas categorias?
Penso na Andross como um primeiro degrau para os autores subirem ao topo do mercado editorial. Tentamos mostrar a cara do autor no mercado, procurando jornais e sites para divulgarmos nossas antologias. Com os livros divulgados, os autores também o são. Assim, podem chegar a uma outra editora maior e dizer: “Ei, já publiquei antes. Não sou um autor novato”.

· Você atua em duas perspectivas, como autor e como editor. Quais são as diferenças e semelhanças dessas duas faces quando se trata de idealizar e editar um livro?
Acho que não há muitas diferenças entre o autor e o editor, com exceção de que o editor tem de ser imparcial no julgamento de um texto, coisa que o autor não precisa.

· Essa última pergunta é colocada em duas faces: no caso de dar um conselho aos escritores que aspiram a uma publicação, ou a uma carreira, qual seria ele, do seu ponto de vista como editor? E enquanto escritor?
Tanto como editor quanto como escritor o conselho é o mesmo: humildade. Ninguém nasce sabendo e a vida é um eterno aprendizado. Ao receber uma crítica em um texto, o autor tem de analisá-la antes de se ofender, o que acontece freqüentemente.


1. Edson Rossatto nasceu em São Paulo, Capital, em 1978. Formado em Letras, trabalha, atualmente, como editor de livros, além de ser professor, palestrante e roteirista de HO. Publicou anteriormente os livros Mansão Klaus e outras histórias e Curta-Metragem, além de ter organizado várias antologias literárias.
Contato com o editor: edson@andross.com.br.
Agradeço a entrevista e desejo muito sucesso a Andross

Ana Pismel
Ofício de Escritor
www.anapismel.ws/oficiodeescritor

ENTREVISTA de Edson Rossatto para a o site Cranik

ENTREVISTA:
Ademir Pascale: Primeiramente, digo que é um prazer tê-lo conosco neste bate-papo. Para iniciarmos, gostaria de saber como foi o início de Edson Rossatto como escritor e editor.

Edson Rossatto: Quando eu era menino, tinha a péssima mania de mentir. Era muito bom nisso! (risos) Como criar histórias era minha especialidade, resolvi canalizar isso em favor de algo benéfico. Foi então que comecei a mentir para o papel.

Ademir Pascale: E como surgiu a idéia da criação da editora Andross?

Edson Rossatto: Foi na universidade. Eu cursava Letras e um dia pedi para um professor ler um conto que eu havia escrito. Ele gostou tanto que disse que precisávamos publicar. O problema era que não tínhamos uma editora para publicar. Então eu tive uma idéia: pensei em uma espécie de concurso em que cada autor que tivesse um texto aprovado ajudasse na vendagem do livro. Assim, as pessoas que comprassem o livro de um autor acabava lendo também o texto do outro. Quando levei a idéia para o professor, ele aprovou imediatamente. Publicamos dois livros de alunos da universidade. Depois disso, resolvemos expandir essa idéia para fora dos muros da instituição. Foi assim que a Andross surgiu.

Ademir Pascale: Quantas antologias a Andross já promoveu e quais delas mais lhe marcou e por quê?

Edson Rossatto: Já publicamos 780 autores em 19 antologias. As que mais me marcaram foi as que eu organizei com temática de horror: Caminhos do medo, Noctâmbulos e Réquiem para o Natal. Adoro essa temática de terror e suspense!

Ademir Pascale: Em geral, o que você acha dos contos e minicontos?

Edson Rossatto: Eu gosto muito desses gêneros. Na verdade, você acertou em cheio na pergunta, pois são meus preferidos. E isso por muitas razões. A principal é que sou um escritor urbano. Escrevo para o leitor urbano. E quer algo mais urbano do que a falta de tempo? Temos de acompanhar nossos leitores. Por isso, prefiro escrever textos curtos, assim aquelas pessoas que não costumam ler têm a oportunidade de fazer isso nos poucos minutos de um café.

Ademir Pascale: Quais são as vantagens de um escritor participar de uma antologia pela Andross?

Edson Rossatto: A Andross é uma verdadeira família. Mesmo depois que o livro fica pronto, os autores não perdem o contato com os seus companheiros de publicação, e esses contatos são importantes para quem quer iniciar uma carreira literária. Além disso, os textos enviados para participação nas antologias são submetidos à avaliação e só depois publicados. Não é “pagou, passou”. Então os autores podem se sentir seguros pois seus textos estarão cercados de obras de qualidade.

Ademir Pascale: Poderia falar um pouco para os nossos leitores sobre a sua obra “Mansão Klaus”?

Edson Rossatto: Este livro reúne três contos de suspense de minha autoria. Mansão Klaus é o nome dado à casa de Weber, um homem muito misterioso, presente em dois contos. Ele e mais quatro amigos se reúnem após anos longe um do outro. Aparentemente um simples reencontro, mas que mudaria inexoravelmente suas vidas. Virgem de Nuremberg – conto que abre o livro – narra a história de uma mulher muito atraente que se envolve com Weber, que tem como outro predicado a sedução, numa trama cercada de idéias implícitas, cortesias, atração e enigmas. O último conto do livro é Floreios Carmim. Nele, é exposta a história da doce menina Güinevere que conhece Gabriel num chat. Em meio a uma narração, ora em primeira pessoa, ora em terceira, passamos a ver se ela teria encontrado a real felicidade.

Ademir Pascale: E como estão os seus projetos voltados para o mundo das HQs?

Edson Rossatto: No início de novembro, a editora Europa lançará uma HQ cujo argumento foi escrito por mim. Trata-se do projeto HISTÓRIA DO BRASIL EM QUADRINHOS, uma HQ didática em que contamos como aconteceu a Independência do Brasil. Ela foi escrita para o público infantil, mas tenho certeza que muitos adultos vão lá dar uma olhadinha...

Ademir Pascale: Além de livros e HQs, você também costuma visitar outras mídias?

Edson Rossatto: Boa pergunta! Um grupo de estudantes do curso de Rádio e TV da Unesp de Bauru roteirizou e está filmando o meu conto "Cartas a um irmão". A estréia está marcada para 27/11/2008 em um cinema em Bauru mesmo. Eu estarei lá para ver meu filho (o conto!) me dar um neto (o curta!). (risos) Para um escritor, ser publicado em livro já é um grande orgulho. Agora imaginem ter uma obra adaptada para o cinema? Fico arrepiado todas as vezes em que aparece no curta "Da obra de Edson Rossatto"...(risos)

Ademir Pascale: No seu ponto de vista como editor, quais são as principais características que uma editora seleciona em um escritor para ser publicado?

Edson Rossatto: Geralmente assuntos polêmicos. Sua obra desafia a igreja? Seu texto será um novo Código DaVinci! Você é uma ex-garota de programa? Opa! Mais uma Bruna Surfistinha na parada. Hoje em dia – infelizmente - o que determina se uma obra será publicada ou não é a quantidade de livros que ela vai vender no menor tempo possível. Então está ficando cada vez mais raro os Saramagos da vida conseguirem esse espaço.

Ademir Pascale: Como surgiu a idéia inicial para a criação da antologia Réquiem Para o Natal – Contos de Terror de Natal?

Edson Rossatto: Sinceramente? Eu perguntei! (rs) Temos uma comunidade no orkut. Coloquei um tópico “Sugestão de novas antologias”. Então alguém sugeriu. No mesmo momento aprovei a idéia. Ah! Essa é mais uma vantagem de se publicar com a Andross: ouvimos os autores.

Ademir Pascale: Poderia falar um pouco sobre as últimas antologias que a Andross está promovendo e como os interessados em participar com os seus contos devem proceder?

Edson Rossatto: Para 2009, reservamos diversas antologias. Por enquanto, só posso informar as temáticas: contos sobre o fim do mundo, contos de humor, contos fantásticos brasileiros, contos de vampiros... Para saber mais, vocês precisam acompanhar o site da editora: www.andross.com.br  nas próximas semanas.

Perguntas Rápidas:

Um livro: 1808
Um(a) autor(a): Stephen King
Um ator ou atriz: Johnny Depp
Um filme: Batman – O cavaleiro das trevas (Sou fã do homem-morcego!...risos)
Um dia especial: Sinceramente? Cada lançamento da editora. Adoro interagir com os autores.
Um desejo: Ter meu sebo no Centro de São Paulo...(risos)

Ademir Pascale: Desejo-lhe sempre muito sucesso. Um forte abraço.

Edson Rossatto: Grande abraço pra você e muito sucesso, Ademir. Admiro seu trabalho de ativista cultural! 

MATÉRIA do site IKWA sobre modelos de negócios, com entrevista de Edson Rossatto

Quando ainda era um estudante de letras, Edson Rossatto se viu diante do dilema que todos os iniciantes no campo da literatura enfrentam um dia: como publicar uma obra? Foi aí que nasceu a Andross Editora. Desde a sua fundação, em 2004, a editora lança novos autores por meio de antologias literárias de contos, crônicas ou poesias. Todo o processo é feito de uma maneira autossustentável. A Andross se responsabiliza pela produção das obras e cada autor se compromete a vender 20 exemplares de cada livro. Desta forma, a distribuição fica a cargo dos autores, em um esquema faça-você-mesmo. Atualmente, editora já publicou 50 livros com mais de 1100 novos escritores.

ENTREVISTA de Edson Rossatto para o programa HQ ALÉM DOS BALÕES

Entrevista de Edson Rossatto, roteirista de HQ, para Fábio Sales, do programa HQ ALÉM DOS BALÕES. Fábio fez perguntas a Rossatto referente ao evento HQ EM PAUTA - ENCONTRO DE PROFISSIONAIS E LEITORES DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS, idealizado e organizado pelo roteirista.
Parte 1


Parte 2

MATÉRIA do jornal Edição das 10 sobre o evento "HQ em Pauta" com breve comentário de Edson Rossatto

O jornal Edição das 10 preparou uma matéria sobre o evento HQ EM PAUTA - ENCONTRO DE PROFISSIONAIS E LEITORES DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS, em que entrevista o jornalista Paulo Ramos, o editor Franco de Rosa e o roteirista Edson Rossatto.

ENTREVISTA de Edson Rossatto para a Rádio Jovem Pan

Já pensou em conhecer os fatos que permeiam a história do Brasil de forma simples e descontraída? Pois é, os pais que se descabelam pela falta de interesse dos filhos no colégio arrumaram um aliado. A coleção "História do Brasil em Quadrinhos", da Editora Europa, mostra detalhes dos fatos mais marcantes do passado nacional. José Luiz Menegatti conversou com um dos autores dessa coleção, o Edson Rossatto, que é editor de livros, escritor e roteirista de HQ. Ouça a entrevista. 

PARTE 1



PARTE 2

ENTREVISTA de Edson Rossatto para o programa Banca de Quandrinhos

Carlão e Rodrigo receberam nos estúdios do programa Banca de Quandrinhos o roteirista de HQ Edson Rossatto, idealizador do evento HQ em Pauta e roteirista da série "História do Brasil em Quadrinhos".

ADAPTAÇÃO PARA QUADRINHOS: "O microconto do homem que subiu no mais alto arranha-céu da metrópole e, de lá, se atirou.", de Edson Rossatto, por Carlos Nascimento (Nasci)

Microconto original:
O microconto do homem que subiu no mais alto arranha-céu da metrópole e, de lá, se atirou., de Edson Rossatto
Ploft!

Adaptação:


ADAPTAÇÃO PARA QUADRINHOS: "Compromisso", por Spacca

Microconto original:

COMPROMISSO, de Edson Rossatto
Quadris em vai-e-vem, urros, suor, lençóis amarrotados. Aquela havia sido a melhor transa de ambos. Só não continuaram porque ele precisava rezar a missa das oito.

Adaptação:

ADAPTAÇÃO PARA CINEMA: Curta-metragem "Cartas a um irmão"

O curta-metragem "Cartas a um irmão", baseado na obra de Edson Rossatto, conta a história de Beatriz, uma jovem que se vê desesperada quando, abruptamente, perde contato com seu irmão. Sua espera nos revela que os acontecimentos não são exatamente o que parecem...


CARTAS A UM IRMÃO (Teaser trailer)


CARTAS A UM IRMÃO (Trailer)



CARTAS A UM IRMÃO na íntegra


Cartas a um irmão - Blog oficial: http://cartasaumirmao.blogspot.com/

FOTOPOESIA: À Jersie, de Edson Rossatto


CRÔNICA: "Obrigado por ser honesto!", de Edson Rossatto

Dia desses, minha mãe veio me perguntar se eu sabia de alguma empresa que estava contratando, pois o filho da vizinha dela estava desempregado, e entre os argumentos de que ele era uma pessoa que merecia a tal chance ela mencionou "honesto" e "sempre chega no horário".

Realmente ser pontual é uma grande vantagem em relação a maioria dos profissionais por aí, porque hoje, se você marca uma reunião às nove da manhã no escritório, ela não começa às nove. Ela começa umas nove e quinze, nove e vinte... Então, quando dizem "te espero às nove" isso pode ser traduzido como "te espero lá pelas nove" ou seu equivalente "a gente se encontra nove horas mais ou menos".

Honestidade também é algo que as pessoas se orgulham de ter.

ARTIGO: Dica Simples a um escritor iniciante, de Edson Rossatto

Trabalhar como editor de livros aqui na Andross Editora por sete anos me propiciou a oportunidade de receber todos os tipos de textos, desde os mais sofríveis até os mais bem acabados. O tipo de erro mais frequente é o que eu chamo de texto "café ruim".


Costumo comparar a produção de um texto com a feitura de café, em que o pó é a essência da história e a água são as palavras utilizadas para contá-la. Se a água é pouca, o pó não se dilui, deixando um sabor demasiadamente forte e amargo; se a água é muita, o pó se perde em meio ao líquido, deixando um gosto desagradável ao paladar do degustador. É preciso utilizar a medida certa a fim de que o produto se torne aprazível ao leitor.

CRÔNICA: Ah, Murphy, seu bosta!, de Edson Rossatto

Realmente estava certo o tal do Murphy, aquele das leis, conhece? Bom, ele propriamente dito eu também não conheço, aliás, nem sei quem é, ou o que foi, ou mesmo se existiu, mas atribuem a ele uma lei que eu tenho de citar como comprovadamente verdadeira: Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível. Aposto que você também já passou por uma situação assim. Todos já passaram, inclusive este que aqui escreve.

Era uma sexta-feira, dia da balada básica. O pessoal da faculdade havia combinado de ir para o barzinho tomar cerveja, e eu não poderia deixar de ir, e fui. Era uma alegria! Todos conversando, tirando barato das matérias e dos professores, e eu participando, porém, cada vez menos sorridente. Meu estômago fazia barulhos que até então eu nunca ouvira na vida, além de se movimentar de uma forma que me fazia lembrar o filme Alien, o oitavo passageiro.

NANOCONTOS: Projeto Cem Toques Cravados, de Edson Rossatto

Leia mais de 500 nanocontos de Edson Rossatto no blog www.cemtoquescravados.com


CRÔNICAS: Várias (projeto TOQUES PARA MULHERES), de Edson Rossatto

CONTO: Sra. Cury, de Edson Rossatto

Ela se aproximou do espelho ovalado e encarou o reflexo cansado de sua face enrugada. Piscava vagarosamente as pálpebras pesadas, mostrando, vez ou outra, os globos oculares arroseados. Levou suas mãos até o rosto e o esfregou, baixando—as lentamente. Em seguida, atentou-se para a gaveta da penteadeira, fixando ali o seu olhar. Levou suas mãos até ela e puxou a alça, tirando, de dentro, uma caixa pequena. Abriu-a. Olhou por certo tempo o conteúdo e permaneceu imóvel, ostentando um leve sorriso iniciado pelo canto esquerdo de seus lábios. Imagens lhe vinham à mente. Quando seu transe passou, tirou algo de dentro da caixa e a guardou novamente.

— Vó!?

CONTO: Legião, de Edson Rossatto

A noite estava perfeita para o ritual. Tudo já estava preparado: as velas vermelhas ao redor do túmulo, o pentagrama invertido inscrito na tampa de concreto, os cálices de prata posicionados de cada lado da sepultura. Ela olhou a cova e deu-se por satisfeita. Faltavam poucos minutos para a meia—noite. Já era hora de começar. Pegou o saco de estopa que estava no chão e desamarrou a boca. O gato ainda estava vivo, apesar das pancadas que ela tinha desferido contra ele. Quase não miava. Suas patas estavam amarradas. A garota segurou-o pela cabeça e puxou uma pequena adaga de sua bolsa. Sem hesitar, arrancou os olhos do pequeno felino negro, um após o outro. Os miados se tornaram estridentes. Quando já estava de posse dos olhos, esfaqueou o animal diversas vezes e jogou o seu corpo a alguns metros.

CONTO: Pantomima, de Edson Rossatto

Escureceu. O que houve? Ai meu Deus! Cadê a lanterna? Vou ver a caixa de luz. E aí, viu? Está tudo normal. Ligue para a companhia de luz. Certo, tudo bem então. Obrigado... E então? Caiu um poste na estrada. A força só voltará amanhã de manhã. Droga! Esse feriado prolongado será bem chato.

Ninguém se mexia naquela sala. Estavam todos com medo de tropeçar ou esbarrar em algum móvel ou objeto.

Era raro a família Pollonio se reunir para algum tipo de lazer. As folgas do trabalho raramente coincidiam. Excetuando-se o filho mais velho, que precisou fazer plantão no call-center onde trabalhava, os outros membros estavam na casa. Eram, ao todo, sete pessoas, contando pai, mãe e avó materna que, após a morte do marido, passou a morar com eles.

CONTO: Detalhe, de Edson Rossatto

Semáforo verde. O carro seguiu pela tranquila avenida Paulista que, durante a semana, comumente, estava engarrafada. São Paulo, noite de sábado, solícita aos que procuram diversão. Augusto dirigia-se à casa de Yolanda para busca-la a fim de jantarem no Fasano’s. Programa caro, entretanto a ocasião justificava. Seria o primeiro encontro oficial, já que haviam se topado coincidentemente por duas vezes, na rua, na hora do almoço, embora não tivessem tido tempo para conversar mais do que o necessário para se tomar um sorvete, ou um suco. Os contatos davam-se por telefone ou e-mails. Bendita a tecnologia que aproxima as pessoas!

Conheceram-se no aniversário de uma amiga em comum três meses antes. Festinha simples, só para os mais chegados. Augusto era colega de faculdade da aniversariante. Já Yolanda, uma antiga amiga de colégio. Após a apresentação, principiaram uma difusa e descontraída conversa, ignorando os presentes no ambiente. Olhares tornaram-se incisivos e sedutores. Outros convidados perceberam onde aquilo ia dar.

CONTO: Por fim, Porfírio!, de Edson Rossatto

O ritual era sempre o mesmo. Virando a esquina na rua de paralelepípedos, a multidão seguia, ora rezando ora cantando, para o cemitério. Segura na mão de Deus e vai... Segura na mão de Deus... Faltavam poucas quadras para chegar, quando passavam pela porta da casa de Porfírio. Este era daquelas figuras exóticas e únicas, encontradas espalhadas pelas cidadezinhas do interior do Brasil.

Desde que se mudara para aquele município, aos oito anos, Porfírio tomou gosto por acompanhar cortejos fúnebres. Isso se deu quando um tio, irmão mais novo de sua mãe, morreu. Não tendo cultivado muitas amizades, o falecido recebeu poucas pessoas em seu velório, entre elas, seu pequeno sobrinho. A partir disso, Porfírio velava quem quer que morresse por ali. Acreditava que o defunto merecia uma última homenagem, mesmo que fosse de pessoas que não conhecia.

CONTO: Cartas a um irmão, de Edson Rossatto

“São Paulo, 02 de março

Querido Cá,
Estou te escrevendo para saber notícias suas. Chegou bem de viagem? Como estão todos aí? Aposto que a tia Maria anda empanturrando você com aquelas broas de milho que ela costumava fazer. Faz tempo que eu não como broa de milho. Só tenho comido comida normal, sem nenhuma regalia. Dá até vontade de sair daqui correndo para ir aí. Está bem acomodado? Está no quarto do primo? Espero que não passe frio. Ele ainda tem a péssima mania de dormir com o ventilador ligado, mesmo no inverno? Ele é muito doido! Está tudo bem aí? Aqui está tudo bem, graças a Deus! Mande notícias. Estou com saudades!
Da irmã que te adora, Bia”

CONTO: Breu, de Edson Rossatto

Faltavam poucos minutos para a meia noite. A lua ia alta no céu, embora, vez ou outra, fosse coberta pelas nuvens. O ônibus estacionou próximo ao ponto e o motorista esperou que a última passageira desembarcasse para seguir viagem direto para a garagem. Mal o veículo partiu, a moça saiu apressadamente. Em seus braços, encolhida, carregava uma criança de colo, talvez quase por completar um ano. Fazia isso com certa dificuldade, pois levava, também uma bolsa. Aquela hora não era propícia para alguém indefeso caminhar pelas ruas, principalmente em um bairro tão perigoso, e os meliantes sabiam disso.

CONTO: Esquecidos, de Edson Rossatto

A sala era simples, escura, sem janelas ou qualquer outro tipo de particularidade. Móveis e objetos haviam sido dispensados, com exceção de uma cadeira. Naquele silêncio tumular, podiam-se ouvir os lentos batimentos cardíacos daquele homem. Mesmo com a presença da cadeira, seu corpo nu permanecia estendido no chão gelado e revelava diversos hematomas e cortes, com sujeira sanguínea por todos eles. Uma grande poça era formada do escorrer de sua urina amarelada, cujo odor era demasiadamente forte. A mulher que o acompanhava estava sentada no assoalho e emprestava suas pernas para o homem desacordado, como se fossem travesseiros. Ela limpava seus ferimentos com muita calma, apesar de seus olhos estarem lacrimejantes.

— Não morra...! — murmurava.

CONTO: Achados e Perdidos, de Edson Rossatto

Segundos depois de a campainha soar, as portas se fecharam e o metrô começou a se movimentar, seguindo em direção ao lado oeste da cidade. Pela janela, ela observava os carros que circulavam pela avenida paralela aos trilhos. Vez ou outra, desviava o olhar para as pessoas dentro do vagão. Eram moças uniformizadas, homens engravatados, garotos de walkman e mochila, velhos de óculos com grossas armações... todo o tipo de gente.

O passageiro ao seu lado lia jornal. Ela alternava seu olhar para o tablóide e o rosto do homem.

— Puxa, essa violência está terrível, não? — comentou a notícia da página aberta.

O dono do periódico meneou a cabeça e, laconicamente, articulou um pois é. Não seria dali que sairia uma conversa, então ela se calou. Depois de algum tempo procurando se distrair, ouviu o prenúncio Estação Sé, desembarquem pelo lado esquerdo do trem. Seu destino havia chegado. A garota, então, se levantou, esperou as portas se abrirem e desceu, rumando para o piso superior, dirigindo-se para o guichê ao lado das catracas.

ADAPTAÇÃO PARA CINEMA: Micrometragens de 100 segundos

Filmes de 100 segundos, baseados em nanocontos de Edson Rossatto, do projeto CEM TOQUES CRAVADOS, e produzidos como trabalho final da Oficina de Realização Audiovisual da SEDA - Semana do Audiovisual - Bauru - SP

NANOCONTO ORIGINAL
“Frio mata dois na cidade”. Sentiu pena. Fechou o jornal. Adiante, cobriu um mendigo com o tabloide.

NANOCONTO ORIGINAL
Olhava fixamente aquela carta de despedida. Lágrimas. Suspirou e a rasgou. Desistiu: resolveu ficar.


NANOCONTO ORIGINAL
"E pra acompanhar o café?". Olhou a cadeira vazia. Pensou em responder "a Malu", mas pediu adoçante.


Veja os bastidores das produções no vídeo produzido pelo e-Colab:

Cem Toques Cravados

AUTOR
A obra traz cem nanocontos escritos por Edson Rossatto, os quais tem exatos cem caracteres, incluindo os espaços.

Curta-Metragem - Antologia de microcontos

AUTOR
É possível narrar uma boa história com, no máximo, seiscentos caracteres, contando os espaços? Edson Rossatto prova-nos que sim. 'Curta-Metragem' é composto por 67 microcontos com tramas que fazem o leitor refletir, rir, se emocionar e se impressionar, pois abordam o cotidiano da sociedade urbana com bom humor, palavras precisas, ceticismo e muitas ironias. Se tentar ler a primeira micronarrativa, só vai parar na última.

Mansao Klaus e outras histórias

AUTOR

Uma garota atraente, um homem sedutor, uma fascinante mansão... Uma história romântica? Amigos que se reencontram depois de alguns anos... Um momento memorável que mudaria inexoravelmente as suas vidas. Aquele contato virtual foi um despertar, um renascer para Güinevere. Teria a doce menina finalmente encontrado a verdadeira felicidade? As tramas originais e versáteis de Mansão Klaus e outras histórias vão prender sua atenção a cada página. Comece a ler e tente parar. Vai ser difícil conseguir.

1ª Edição esgotada

História do Brasil em Quadrinhos: Proclamação da República

ROTEIRISTA
Na obra, fatos como o Primeiro e o Segundo Reinado, a Guerra do Paraguai e a Abolição da Escravatura são reconstituídos pelo personagem do professor Daguerre a três crianças durante um passeio pelas ruas do Centro de São Paulo. O desenvolvimento dos personagens infantis teve a preocupação de abranger a diversidade étnica brasileira: a oriental Catarina, o negro Marcelo e o branco Gustavo, este, inclusive, um cadeirante que demonstra a mesma disposição e alegria dos amigos ao longo de toda a aventura. Os autores basearam-se em diversas obras de arte sobre este período da História do Brasil como forma de remeter a adaptação para os quadrinhos aos livros da educação formal nas escolas.

História do Brasil em Quadrinhos: Independência

ROTEIRISTA
Esta HQ com cunho didático revisita, de forma leve e divertida, o conteúdo apresentado nas salas de aula. Pouca gente lembra - ou sabe - que o grito de Independência dado por Dom Pedro I às margens do Ipiranga, em 1822, teve sua origem muitos anos antes, na distante Europa, quando a ambição de Napoleão forçou a fuga da família real portuguesa para a então colônia do Brasil e mudou para sempre a nossa história. “História do Brasil em Quadrinhos: Independência” apresenta o encadeamento de todos estes fatos históricos de forma simples e descontraída. No livro aparecem os detalhes da chegada da família real ao Brasil, o Dia do Fico e a Independência de nosso País.

Exposição HISTÓRIA DO BRASIL EM QUADRINHOS: PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

Novembro de 2009, Estação República do Metrô, São Paulo




Exposição HISTÓRIA DO BRASIL EM QUADRINHOS: INDEPENDÊNCIA

Setembro de 2009, Estação Alto do Ipiranga, São Paulo