POEMA: "O canto da Fênix", de Edson Rossatto

Em tudo o que paira no ar,
Olhar seu sorriso é o que gosto.
Contudo, quando for chorar,
Não precisa virar o rosto.

Deixe cair pingos de pranto,
Nos cantos, nos lenços e roupas...

O que escorre são dores, mágoas,
Águas de sal do mal... não mar!

Agora, nunca mais tristezas...
Sem incerteza ou dissabor.

O coração traidor morre
E nasce o músculo-mor do amor.

POEMA: "Pueril", de Edson Rossatto

Lá no vale,
o vento lento
leva a vela,
e o velho lendo.

POEMA: "Sem título", de Edson Rossatto

Fazer sexo
sem amor
não tem nexo,
só calor.

POEMA: "Expediente", de Edson Rossatto

E bate a tecla
e o tipo toca
e o tic-tac
estica o tempo.

HAICAI: "Sem título", de Edson Rossatto

A pupa rasgada.
Contempla a luz do futuro.
Delicadas asas.

HAICAI: "Musa ardente", de Edson Rossatto

Ela gela meu
coração na estação
de frio na janela.

HAICAI: "Haicai do mestre", de Edson Rossatto

Letra branca torta
corta a lousa verde-musgo
sobre gente morta.

HAICAI: "Inverno", de Edson Rossatto

A dama na cama,
distante olhar, num instante,
por quem ama, clama.

HAICAI: "Timidez", de Edson Rossatto

O álcool age em mim
sem vício; dá início ao papo
como um estopim.

HAICAI: "Preparação", de Edson Rossatto

E que a vida entre
naquela, que da janela,
sente o ventre.

HAICAI: "Primavera", de Edson Rossatto

Borboleta lenta,
Assim, voa no jardim,
de vida, sedenta.

HAICAI: "Guardião", de Edson Rossatto

Vigia, do alto
do vitral da catedral,
e mia o arauto.

HAICAI: "Experiência", de Edson Rossatto

A boca rubra
chama e acende a chama
da paixão. Descubra!

HQ: "Como ser bom de papo e se enturmar" (Roteiro de Edson Rossatto)


Dicas práticas de Reinaldo Polito, mestre em comunicação, para você se relacionar melhor.
Roteiro de Edson Rossatto e desenho de Álvaro Omine.

Uma história em quadrinhos para você aprender a se comunicar melhor. Isso pode mudar sua vida.

Baseado nos ensinamentos do professor Reinaldo Polito, mestre em ciência da comunicação com mais de 30 anos de experiência.



HQ: "História do Brasil em Quadrinhos: Independência" (Roteiro de Edson Rossatto)

COMPRE AQUI
Toda a história é contada pelo professor Daguerre a três crianças que se desgarram da excursão escolar no Museu do Ipiranga, em São Paulo: Marcelo, Catarina e Gustavo. A pressão sofrida por Portugal para aliar-se a Napoleão, a chegada ao Brasil, a elevação da antiga colônia a Reino Unido, a Inconfidência Mineira, o Dia do Fico e o grito do Ipiranga, tudo passa pela prosa do professor, num encontro que vai mudar a visão daquelas crianças a respeito dos estudos e até mesmo do lugar onde se encontram.

A equipe que desenvolveu a obra: Edson Rossatto (pesquisa histórica e argumento); Jota Silvestre (roteiro); Celso Kodama e Laudo (desenhos); Omar Viñole (cores) e André Morelli (assistente de edição).

HQ: "História do Brasil em Quadrinhos: Proclamação da República" (Roteiro de Edson Rossatto)

COMPRE AQUI

Na obra, fatos como o Primeiro e o Segundo Reinado, a Guerra do Paraguai e a Abolição da Escravatura são reconstituídos pelo personagem do professor Daguerre a três crianças durante um passeio pelas ruas do Centro de São Paulo.


O desenvolvimento dos personagens infantis teve a preocupação de abranger a diversidade étnica brasileira: a oriental Catarina, o negro Marcelo e o branco Gustavo, este, inclusive, um cadeirante que demonstra a mesma disposição e alegria dos amigos ao longo de toda a aventura.

HAICAI: "Perdão", de Edson Rossatto

Basta um leve toque
De sua mão que bate à porta.
Som de breves tocs!

HAICAI: "Som", de Edson Rossatto

E dança, e balança.
Mexe o corpo e deixa solto
feito uma criança.

POEMA: "Amor capital", de Edson Rossatto

Dinheiro não compra amor,
mas pode alugar na Augusta.
Por uma ínfima custa,
qualquer um vira Senhor.

HAICAI: "Multidão", de Edson Rossatto

Lá no meio, o seio
à vista e equilibrista.
A sorrir, quem veio.

HAICAI: "Companhia", de Edson Rossatto

A luz que seduz,
singela chama da vela,
clareia braços nus.

HAICAI: "Ausência", de Edson Rossatto

Cinto aperta o peito
Coração esburacado
Só contemplo o teto.

CONTO: "Domingo no Shopping", de Edson Rossatto

— ...mas na praça de alimentação?
— Ué, e o que que tem? Depois a gente pode ir fazer compras no shopping.
— Mas, mãe, e sua dieta? Esses lanches engordurados, cheios de calorias e gordura...
— Nossa, você falando assim me deu vontade de comer um Big Mac!
— Ah, claro, já que é pra furar o regime, que seja com o símbolo dos obesos mesmo.
— Ah, filhinha, como você é dramática. Vai querer um também?
— Eu não estou de dieta, claro que quero
— Anda, vem aqui comigo no balcão.
— Estou logo atrás da senhora.
— Boa tarde, senhora, qual é o seu pedido?

ENTREVISTA de Edson Rossatto para o site Meu Heroi

ESCRITO POR FERNANDO REBOUÇAS

Formado em Letras, roteirista de HQ, escritor e editor de livros, Edson Rossatto publicou os livros “Mansão Klaus e outras histórias”, “Curta-metragem – Antologia de microcontos” e organizou diversas antologias literárias. Em 2008, lançou a primeira edição da série “História do Brasil em Quadrinhos”, que abordava a “Independência do Brasil”. Em 2009, o segundo volume da série em quadrinhos foi lançado, dessa vez focando na “Proclamação da República”.

Essa última HQ, lançada pela Editora Europa, reconstitui, através dos quadrinhos, o Primeiro e o Segundo Reinado, a Guerra do Paraguai e a Abolição da Escravatura por intermédio de Daguerre, um professor que narra os acontecimentos históricos para três crianças durante um passeio pelas ruas do Centro da cidade de São Paulo.

Edson Rossatto foi responsável pela pesquisa histórica, argumento e roteiro do livro. Os desenhos e a arte final ficaram a cargo do desenhista Laudo Ferreira Jr. e Omar Viñole coloriu o trabalho.

Leia agora uma entrevista exclusiva com Edson Rossatto.

ADAPTAÇÃO PARA TV: Nanoconto de Edson Rossatto, animado por Jean Okada

Nanoconto escrito por Edson Rossatto e animado no Flash por Jean Okada.

ADAPTAÇÃO PARA TV: Nanoconto de Edson Rossatto para a TV Minuto nº 1

ADAPTAÇÃO PARA TV: Nanoconto de Edson Rossatto para a TV Minuto nº 2

ADAPTAÇÃO PARA TV: Nanoconto de Edson Rossatto para a TV Minuto nº 3

ADAPTAÇÃO PARA TV: Nanoconto de Edson Rossatto para a TV Minuto nº 4

ENTREVISTA de Edson Rossatto para o site Papo de Boteco

Nessa segunda entrevista do Papo com o Talento, tenho o prazer de mostrar o papo que tive com Edson Rossatto, autor do livro "Cem Toques Cravados" e editor da editora Andross. Edson também tem alguns blogs bem legais e é roteirista. Espero que gostem!

Edson, primeiramente muito obrigado pela "visita". Comece falando um pouco do seu trabalho como editor de livros. Como essa experiência contribuiu para a sua própria produção literária? Como é tomar contato com outros autores jovens?
Na verdade, eu me tornei editor depois de ser escritor. Eu já conhecia o lado dos escritores e essa experiência editando livros de outros escritores me ajudou a enxergar o lado do editor. Hoje, quando vou escrever uma obra, avalio não só a história, mas também a que público se destina, como poderei divulgá-la e outras coisas que só os editores conhecem. Acredito que me tornei um profissional melhor ao conhecer esses dois lados do mercado editorial.

ADAPTAÇÃO PARA TV: Nanoconto de Edson Rossatto para a TV Minuto nº 6

ENTREVISTA de Edson Rossatto para o programa Mulheres, da TV Gazeta

Entrevista de Edson Rossatto para o programa Mulheres (07/09/2011)

ENTREVISTA de Edson Rossatto e Laudo Ferreira para o programa Talk Show sobre a hq História do Brasil em Quadrinhos

ENTREVISTA de Edson Rossatto e Laudo Ferreira para o programa Talk Show 
sobre a hq História do Brasil em Quadrinhos em 04/10/2011

MATÉRIA do site SINPRO sobre a hq História do Brasil em Quadrinhos, cujo roteiro é de Edson Rossatto

Por Elisa Marconi e Francisco Bicudo

O Brasil tem uma longa tradição na produção de histórias em quadrinhos. Já em 1905, por exemplo, a revista Tico-Tico passava a ser publicada com regularidade. Mas foi mesmo a partir dos anos 1930, com os suplementos especiais das chamadas HQs, que saíam inicialmente no jornal A Nação, que os quadrinhos passaram a alcançar um público mais amplo e constituído tanto por crianças como por adultos. É verdade que, apesar de toda a trajetória criativa, essa narrativa não raro ainda é avaliada como uma forma menor de expressão cultural, como um produto de segunda categoria, algo feito apenas para entreter, sem quaisquer outros propósitos ou compromissos. Vale lembrar também que a produção nacional dos gibis não é forte o suficiente para concorrer com gigantes transnacionais como a Marvel e DC Comics, conhecidas pelas aventuras envolvendo super-heróis. Mas é fato que esse cenário, ainda bem, aos poucos vem mudando, e as HQs já conquistaram espaços importantes no país, destacando-se mais recentemente inclusive na área da educação.

POEMA: "Soneto à Cris", de Edson Rossatto

Acho mais formoso o cacho que o liso
E o riso, tão singelo quanto belo,
Afaga minha alma, cria um elo,
Abranda minha ira, leva o siso.

Quisera ter poder de recusar
Serviço, mas o viço, estampado
Na íris, seduz; deixa em estado
De luz, quem a deveria denegar.

Às vezes, penso no tempo em que passo
Sem vê-la. Porém, pela correnteza,
Creio, haverá sempre um meio, um laço,

Um ardil, próprio ou vil, dando a certeza
Ao poeta de gentileza e traço
Pueril o sorriso pela beleza.

ENTREVISTA de Edson Rossatto e Sérgio Pereira Couto sobre o Grupo Polígrafos para o programa Talk Show

ENTREVISTA de Edson Rossatto e Sérgio Pereira Couto sobre o 
Grupo Polígrafos para o programa Talk Show em 22 de novembro de 2011

MATÉRIA do site Vila Sucesso sobre escritores impulsionados pelas redes sociais

Anônimos ou artistas. Polêmicos ou não. Todos encontram um espaço para se expressar nas redes sociais. E o grande interesse é o retorno rápido, a interatividade. Para os escritores, um mundo que vem sendo cada vez mais explorado. Se antes divulgavam seus livros na Internet, hoje muitos livros nascem dos escritos registrados no twitter, no facebook ou em outras mídias.

ADAPTAÇÃO PARA TV: Nanoconto de Edson Rossatto para a TV Minuto nº 12


AFORISMO: "Eu tenho muito bom gosto para mulheres. Vivo sozinho porque elas também têm." (Edson Rossatto)

PALESTRA sobre micronarrativas

ATIVIDADE
Palestra sobre micronarrativas

TÍTULO
Nanocontos: mínimas letras com máximas narrativas

OFICINA de micronarrativas

ATIVIDADE
Oficina de micronarrativas

TÍTULO
Nanocontos: mínimas letras com máximas narrativas

ENTREVISTA de Edson Rossatto para a o site Ofício de Escritor

No início da série de entrevistas, temos a oportunidade de conversar com Edson Rossatto 1, escritor e editor da Andross, editora que promove a publicação de escritores iniciantes em antologias, além de outras obras. Visite o site, conheça o catálogo da editora e as antologias em andamento no site www.andross.com.br

· Edson, antes de mais nada, você poderia traçar um pequeno perfil da atuação da Andross Editora em relação a sua linha editorial e atuação no mercado?
A Andross publica obras de autores em início de carreira. Esses textos são publicados em antologias literárias cujo propósito e divulgar os nomes desses desconhecidos, mas muito talentosos escritores. Alguns autores que estrearam nas antologias da Andross hoje já têm obras publicadas individualmente por outras editoras.

ENTREVISTA de Edson Rossatto para a o site Cranik

ENTREVISTA:

Ademir Pascale: Primeiramente, digo que é um prazer tê-lo conosco neste bate-papo. Para iniciarmos, gostaria de saber como foi o início de Edson Rossatto como escritor e editor.

Edson Rossatto: Quando eu era menino, tinha a péssima mania de mentir. Era muito bom nisso! (risos) Como criar histórias era minha especialidade, resolvi canalizar isso em favor de algo benéfico. Foi então que comecei a mentir para o papel.

Ademir Pascale: E como surgiu a idéia da criação da editora Andross?

MATÉRIA do site IKWA sobre modelos de negócios, com entrevista de Edson Rossatto

Quando ainda era um estudante de letras, Edson Rossatto se viu diante do dilema que todos os iniciantes no campo da literatura enfrentam um dia: como publicar uma obra? Foi aí que nasceu a Andross Editora. Desde a sua fundação, em 2004, a editora lança novos autores por meio de antologias literárias de contos, crônicas ou poesias. Todo o processo é feito de uma maneira autossustentável. A Andross se responsabiliza pela produção das obras e cada autor se compromete a vender 20 exemplares de cada livro. Desta forma, a distribuição fica a cargo dos autores, em um esquema faça-você-mesmo. Atualmente, editora já publicou 50 livros com mais de 1100 novos escritores.

ENTREVISTA de Edson Rossatto para o programa HQ ALÉM DOS BALÕES

Entrevista de Edson Rossatto, roteirista de HQ, para Fábio Sales, do programa HQ ALÉM DOS BALÕES. Fábio fez perguntas a Rossatto referente ao evento HQ EM PAUTA - ENCONTRO DE PROFISSIONAIS E LEITORES DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS, idealizado e organizado pelo roteirista.
Parte 1


Parte 2

MATÉRIA do jornal Edição das 10 sobre o evento "HQ em Pauta" com breve comentário de Edson Rossatto

O jornal Edição das 10 preparou uma matéria sobre o evento HQ EM PAUTA - ENCONTRO DE PROFISSIONAIS E LEITORES DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS, em que entrevista o jornalista Paulo Ramos, o editor Franco de Rosa e o roteirista Edson Rossatto.

ENTREVISTA de Edson Rossatto para a Rádio Jovem Pan

Já pensou em conhecer os fatos que permeiam a história do Brasil de forma simples e descontraída? Pois é, os pais que se descabelam pela falta de interesse dos filhos no colégio arrumaram um aliado. A coleção "História do Brasil em Quadrinhos", da Editora Europa, mostra detalhes dos fatos mais marcantes do passado nacional. José Luiz Menegatti conversou com um dos autores dessa coleção, o Edson Rossatto, que é editor de livros, escritor e roteirista de HQ. Ouça a entrevista. 

PARTE 1



PARTE 2

ENTREVISTA de Edson Rossatto para o programa Banca de Quandrinhos

Carlão e Rodrigo receberam nos estúdios do programa Banca de Quandrinhos o roteirista de HQ Edson Rossatto, idealizador do evento HQ em Pauta e roteirista da série "História do Brasil em Quadrinhos".

ADAPTAÇÃO PARA QUADRINHOS: "O microconto do homem que subiu no mais alto arranha-céu da metrópole e, de lá, se atirou.", de Edson Rossatto, por Carlos Nascimento (Nasci)

Microconto original:
O microconto do homem que subiu no mais alto arranha-céu da metrópole e, de lá, se atirou., de Edson Rossatto
Ploft!

Adaptação:


ADAPTAÇÃO PARA QUADRINHOS: "Compromisso", por Spacca

Microconto original:

COMPROMISSO, de Edson Rossatto
Quadris em vai-e-vem, urros, suor, lençóis amarrotados. Aquela havia sido a melhor transa de ambos. Só não continuaram porque ele precisava rezar a missa das oito.

Adaptação:

ADAPTAÇÃO PARA CINEMA: Curta-metragem "Cartas a um irmão"

O curta-metragem "Cartas a um irmão", baseado na obra de Edson Rossatto, conta a história de Beatriz, uma jovem que se vê desesperada quando, abruptamente, perde contato com seu irmão. Sua espera nos revela que os acontecimentos não são exatamente o que parecem...


CARTAS A UM IRMÃO (Teaser trailer)


CARTAS A UM IRMÃO (Trailer)



CARTAS A UM IRMÃO na íntegra


Cartas a um irmão - Blog oficial: http://cartasaumirmao.blogspot.com/

FOTOPOESIA: À Jersie, de Edson Rossatto


CRÔNICA: "Obrigado por ser honesto!", de Edson Rossatto

Dia desses, minha mãe veio me perguntar se eu sabia de alguma empresa que estava contratando, pois o filho da vizinha dela estava desempregado, e entre os argumentos de que ele era uma pessoa que merecia a tal chance ela mencionou "honesto" e "sempre chega no horário".

Realmente ser pontual é uma grande vantagem em relação a maioria dos profissionais por aí, porque hoje, se você marca uma reunião às nove da manhã no escritório, ela não começa às nove. Ela começa umas nove e quinze, nove e vinte... Então, quando dizem "te espero às nove" isso pode ser traduzido como "te espero lá pelas nove" ou seu equivalente "a gente se encontra nove horas mais ou menos".

Honestidade também é algo que as pessoas se orgulham de ter.

ARTIGO: Dica Simples a um escritor iniciante, de Edson Rossatto

Trabalhar como editor de livros aqui na Andross Editora por sete anos me propiciou a oportunidade de receber todos os tipos de textos, desde os mais sofríveis até os mais bem acabados. O tipo de erro mais frequente é o que eu chamo de texto "café ruim".


Costumo comparar a produção de um texto com a feitura de café, em que o pó é a essência da história e a água são as palavras utilizadas para contá-la. Se a água é pouca, o pó não se dilui, deixando um sabor demasiadamente forte e amargo; se a água é muita, o pó se perde em meio ao líquido, deixando um gosto desagradável ao paladar do degustador. É preciso utilizar a medida certa a fim de que o produto se torne aprazível ao leitor.

CRÔNICA: "Ah, Murphy, seu bosta!", de Edson Rossatto

Realmente estava certo o tal do Murphy, aquele das leis, conhece? Bom, ele propriamente dito eu também não conheço, aliás, nem sei quem é, ou o que foi, ou mesmo se existiu, mas atribuem a ele uma lei que eu tenho de citar como comprovadamente verdadeira: Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível. Aposto que você também já passou por uma situação assim. Todos já passaram, inclusive este que aqui escreve.

Era uma sexta-feira, dia da balada básica. O pessoal da faculdade havia combinado de ir para o barzinho tomar cerveja, e eu não poderia deixar de ir, e fui. Era uma alegria! Todos conversando, tirando barato das matérias e dos professores, e eu participando, porém, cada vez menos sorridente. Meu estômago fazia barulhos que até então eu nunca ouvira na vida, além de se movimentar de uma forma que me fazia lembrar o filme Alien, o oitavo passageiro.

NANOCONTOS: Projeto Cem Toques Cravados, de Edson Rossatto

Leia mais de 500 nanocontos de Edson Rossatto no blog www.cemtoquescravados.com


CRÔNICAS: Várias (projeto TOQUES PARA MULHERES), de Edson Rossatto

CONTO: "Sra. Cury", de Edson Rossatto

Ela se aproximou do espelho ovalado e encarou o reflexo cansado de sua face enrugada. Piscava vagarosamente as pálpebras pesadas, mostrando, vez ou outra, os globos oculares arroseados. Levou suas mãos até o rosto e o esfregou, baixando—as lentamente. Em seguida, atentou-se para a gaveta da penteadeira, fixando ali o seu olhar. Levou suas mãos até ela e puxou a alça, tirando, de dentro, uma caixa pequena. Abriu-a. Olhou por certo tempo o conteúdo e permaneceu imóvel, ostentando um leve sorriso iniciado pelo canto esquerdo de seus lábios. Imagens lhe vinham à mente. Quando seu transe passou, tirou algo de dentro da caixa e a guardou novamente.

— Vó!?

CONTO: Legião, de Edson Rossatto

A noite estava perfeita para o ritual. Tudo já estava preparado: as velas vermelhas ao redor do túmulo, o pentagrama invertido inscrito na tampa de concreto, os cálices de prata posicionados de cada lado da sepultura. Ela olhou a cova e deu-se por satisfeita. Faltavam poucos minutos para a meia—noite. Já era hora de começar. Pegou o saco de estopa que estava no chão e desamarrou a boca. O gato ainda estava vivo, apesar das pancadas que ela tinha desferido contra ele. Quase não miava. Suas patas estavam amarradas. A garota segurou-o pela cabeça e puxou uma pequena adaga de sua bolsa. Sem hesitar, arrancou os olhos do pequeno felino negro, um após o outro. Os miados se tornaram estridentes. Quando já estava de posse dos olhos, esfaqueou o animal diversas vezes e jogou o seu corpo a alguns metros.

CONTO: "Pantomima", de Edson Rossatto

Escureceu. O que houve? Ai meu Deus! Cadê a lanterna? Vou ver a caixa de luz. E aí, viu? Está tudo normal. Ligue para a companhia de luz. Certo, tudo bem então. Obrigado... E então? Caiu um poste na estrada. A força só voltará amanhã de manhã. Droga! Esse feriado prolongado será bem chato.

Ninguém se mexia naquela sala. Estavam todos com medo de tropeçar ou esbarrar em algum móvel ou objeto.

Era raro a família Pollonio se reunir para algum tipo de lazer. As folgas do trabalho raramente coincidiam. Excetuando-se o filho mais velho, que precisou fazer plantão no call-center onde trabalhava, os outros membros estavam na casa. Eram, ao todo, sete pessoas, contando pai, mãe e avó materna que, após a morte do marido, passou a morar com eles.

CONTO: "Detalhe", de Edson Rossatto

Semáforo verde. O carro seguiu pela tranquila avenida Paulista que, durante a semana, comumente, estava engarrafada. São Paulo, noite de sábado, solícita aos que procuram diversão. Augusto dirigia-se à casa de Yolanda para busca-la a fim de jantarem no Fasano’s. Programa caro, entretanto a ocasião justificava. Seria o primeiro encontro oficial, já que haviam se topado coincidentemente por duas vezes, na rua, na hora do almoço, embora não tivessem tido tempo para conversar mais do que o necessário para se tomar um sorvete, ou um suco. Os contatos davam-se por telefone ou e-mails. Bendita a tecnologia que aproxima as pessoas!

Conheceram-se no aniversário de uma amiga em comum três meses antes. Festinha simples, só para os mais chegados. Augusto era colega de faculdade da aniversariante. Já Yolanda, uma antiga amiga de colégio. Após a apresentação, principiaram uma difusa e descontraída conversa, ignorando os presentes no ambiente. Olhares tornaram-se incisivos e sedutores. Outros convidados perceberam onde aquilo ia dar.

CONTO: "Por fim, Porfírio!", de Edson Rossatto

O ritual era sempre o mesmo. Virando a esquina na rua de paralelepípedos, a multidão seguia, ora rezando ora cantando, para o cemitério. Segura na mão de Deus e vai... Segura na mão de Deus... Faltavam poucas quadras para chegar, quando passavam pela porta da casa de Porfírio. Este era daquelas figuras exóticas e únicas, encontradas espalhadas pelas cidadezinhas do interior do Brasil.

Desde que se mudara para aquele município, aos oito anos, Porfírio tomou gosto por acompanhar cortejos fúnebres. Isso se deu quando um tio, irmão mais novo de sua mãe, morreu. Não tendo cultivado muitas amizades, o falecido recebeu poucas pessoas em seu velório, entre elas, seu pequeno sobrinho. A partir disso, Porfírio velava quem quer que morresse por ali. Acreditava que o defunto merecia uma última homenagem, mesmo que fosse de pessoas que não conhecia.

CONTO: "Cartas a um irmão", de Edson Rossatto

“São Paulo, 02 de março

Querido Cá,
Estou te escrevendo para saber notícias suas. Chegou bem de viagem? Como estão todos aí? Aposto que a tia Maria anda empanturrando você com aquelas broas de milho que ela costumava fazer. Faz tempo que eu não como broa de milho. Só tenho comido comida normal, sem nenhuma regalia. Dá até vontade de sair daqui correndo para ir aí. Está bem acomodado? Está no quarto do primo? Espero que não passe frio. Ele ainda tem a péssima mania de dormir com o ventilador ligado, mesmo no inverno? Ele é muito doido! Está tudo bem aí? Aqui está tudo bem, graças a Deus! Mande notícias. Estou com saudades!
Da irmã que te adora, Bia”

CONTO: "Breu", de Edson Rossatto

Faltavam poucos minutos para a meia noite. A lua ia alta no céu, embora, vez ou outra, fosse coberta pelas nuvens. O ônibus estacionou próximo ao ponto e o motorista esperou que a última passageira desembarcasse para seguir viagem direto para a garagem. Mal o veículo partiu, a moça saiu apressadamente. Em seus braços, encolhida, carregava uma criança de colo, talvez quase por completar um ano. Fazia isso com certa dificuldade, pois levava, também uma bolsa. Aquela hora não era propícia para alguém indefeso caminhar pelas ruas, principalmente em um bairro tão perigoso, e os meliantes sabiam disso.

CONTO: "Esquecidos", de Edson Rossatto

A sala era simples, escura, sem janelas ou qualquer outro tipo de particularidade. Móveis e objetos haviam sido dispensados, com exceção de uma cadeira. Naquele silêncio tumular, podiam-se ouvir os lentos batimentos cardíacos daquele homem. Mesmo com a presença da cadeira, seu corpo nu permanecia estendido no chão gelado e revelava diversos hematomas e cortes, com sujeira sanguínea por todos eles. Uma grande poça era formada do escorrer de sua urina amarelada, cujo odor era demasiadamente forte. A mulher que o acompanhava estava sentada no assoalho e emprestava suas pernas para o homem desacordado, como se fossem travesseiros. Ela limpava seus ferimentos com muita calma, apesar de seus olhos estarem lacrimejantes.

— Não morra...! — murmurava.

CONTO: "Achados e Perdidos", de Edson Rossatto

Segundos depois de a campainha soar, as portas se fecharam e o metrô começou a se movimentar, seguindo em direção ao lado oeste da cidade. Pela janela, ela observava os carros que circulavam pela avenida paralela aos trilhos. Vez ou outra, desviava o olhar para as pessoas dentro do vagão. Eram moças uniformizadas, homens engravatados, garotos de walkman e mochila, velhos de óculos com grossas armações... todo o tipo de gente.

O passageiro ao seu lado lia jornal. Ela alternava seu olhar para o tablóide e o rosto do homem.

— Puxa, essa violência está terrível, não? — comentou a notícia da página aberta.

O dono do periódico meneou a cabeça e, laconicamente, articulou um pois é. Não seria dali que sairia uma conversa, então ela se calou. Depois de algum tempo procurando se distrair, ouviu o prenúncio Estação Sé, desembarquem pelo lado esquerdo do trem. Seu destino havia chegado. A garota, então, se levantou, esperou as portas se abrirem e desceu, rumando para o piso superior, dirigindo-se para o guichê ao lado das catracas.

ADAPTAÇÃO PARA CINEMA: Micrometragens de 100 segundos

Filmes de 100 segundos, baseados em nanocontos de Edson Rossatto, do projeto CEM TOQUES CRAVADOS, e produzidos como trabalho final da Oficina de Realização Audiovisual da SEDA - Semana do Audiovisual - Bauru - SP

NANOCONTO ORIGINAL
“Frio mata dois na cidade”. Sentiu pena. Fechou o jornal. Adiante, cobriu um mendigo com o tabloide.

NANOCONTO ORIGINAL
Olhava fixamente aquela carta de despedida. Lágrimas. Suspirou e a rasgou. Desistiu: resolveu ficar.


NANOCONTO ORIGINAL
"E pra acompanhar o café?". Olhou a cadeira vazia. Pensou em responder "a Malu", mas pediu adoçante.


Veja os bastidores das produções no vídeo produzido pelo e-Colab:

MICRONARRATIVAS: "Cem Toques Cravados", de Edson Rossatto

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A obra traz cem nanocontos escritos por Edson Rossatto. Cada micronarrativa possui exatamente cem caractere, incluindo os espaços.


Abaixo segue o release do livro

Uma regra entre aqueles que vivem de escrever reza que “menos é mais”. É simples: toda vez que uma palavra pode substituir várias, faça-o. Não é que o texto fica apenas mais sucinto; fica, também, mais correto e – por que não dizer? – mais culto. Evidencia, acima de tudo, que o autor domina seu instrumento de trabalho.

MICRONARRATIVAS: "Curta-metragem", de Edson Rossatto

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É possível narrar uma boa história com, no máximo, seiscentos caracteres, contando os espaços? Edson Rossatto prova-nos que sim. 'Curta-Metragem' é composto por 67 microcontos com tramas que fazem o leitor refletir, rir, se emocionar e se impressionar, pois abordam o cotidiano da sociedade urbana com bom humor, palavras precisas, ceticismo e muitas ironias. Se tentar ler a primeira micronarrativa, só vai parar na última.


COLETÂNEA DE CONTOS: "Mansão Klaus e outras histórias", de Edson Rossatto

1ª Edição esgotada
Uma garota atraente, um homem sedutor, uma fascinante mansão... Uma história romântica? Amigos que se reencontram depois de alguns anos... Um momento memorável que mudaria inexoravelmente as suas vidas. Aquele contato virtual foi um despertar, um renascer para Güinevere. Teria a doce menina finalmente encontrado a verdadeira felicidade? As tramas originais e versáteis de Mansão Klaus e outras histórias vão prender sua atenção a cada página. Comece a ler e tente parar. Vai ser difícil conseguir.